Blog

Resiliência e a Porta dos Desesperados

E se, ao invés do Sérgio Mallandro te dar uma opção de porta para escolher, você tivesse 10 segundos para achar o prêmio da Porta dos Desesperados? Neste artigo eu saio um pouco do universo do COMEX e falo sobre empreendedorismo e resiliência.


Nos anos 80, existia um programa no SBT que era a febre da criançada. Decerto hoje em dia o seu nome iria até gerar uma certa polêmica, mas que era muito criativo, era:

OradukapetaClaro que, um programa com um nome desses, tinha que ser apresentado por alguém descolado. Assim, ninguém melhor do que Sérgio Mallandro para “atazanar” a molecada e prender a atenção de todos.

O quadro mais famoso era aquele em que uma criança era selecionada na plateia para ir ao palco e escolher uma de três portas para ser aberta.

Porta dos Desesperados

A Porta dos Desesperados

 

Mallandro sempre fazia aquele drama “master” antes da criança realmente abrir uma porta. Dava oportunidade dela desistir e pegar um brinquedo, trocar de porta, dentre várias outras artimanhas até que uma porta realmente fosse aberta. Enquanto atrás de duas delas tinham monstros fantasiados que corriam atrás das crianças, uma tinha prêmios (brinquedos, bicicletas, etc).

Inegavelmente as crianças ficavam doidas para saber onde estava a porta com os prêmios. Mas, e se, ao invés de te dizerem que você pudesse escolher apenas uma porta…

você tivesse 10 segundos para achar o prêmio?

Acredito que a maioria das pessoas iria sair correndo, abrindo uma porta de cada vez, até achar a que estivesse com o tão sonhado prêmio, né?!

 

Fracasse Frequentemente

Eu tenho alguns mentores que me ajudam e/ou inspiram muito e o Murilo Gun é um deles.

Uma das coisas que aprendi com ele, e hoje é um conceito que realmente está bem em alta, é:

Fracasse mais e mais rápido para chegar ao sucesso!

É um conceito explicado e repetido em vários livros, como “O Poder do Fracasso”, de Sarah Lewis, ou o “Fail Fast, Fail Often”, de Ryan Babineaux e John Krumboltz.

Entretanto, acho que uma explicação bem simples para este conceito é a resposta à pergunta que fiz acima.

Imagine que a vida fosse a Porta dos Desesperados do Sérgio Mallandro. Você optaria por:

1 – Escolher uma porta só e continuar no drama do apresentador te gritando “abre ou não abre? Quer mudar? Olha lá hein?” para no final de dez anos ou no final da sua vida você realmente abrir a porta e descobrir que tem um monstro lá dentro;

2 – Abrir uma porta, assustar com o monstro, abrir outra porta e já bater na cara do segundo monstro. Até chegar rápido na terceira porta e achar o seu prêmio logo?

Ou seja:

Quanto mais rápido você falhar e der de cara com os seus monstros, mais rápido poderá abrir a porta dos seus sonhos.

 

As portas da sua vida

Antes de tudo, imagine que para cada decisão importante da sua vida, você pudesse abrir rapidamente todas as portas para escolher:

 

Resiliência e a Porta dos Desesperados

 

O mais óbvio seria acreditar que:

a) A porta número 1 te levaria ao sucesso;

b) Já a porta número 2 te levaria ao fracasso;

c) E a última opção te deixaria estagnado, no mesmo lugar.

No entanto, será que é sempre tão óbvio assim na primeira espiadinha?

 

O meu caminho

Gosto de pensar que sou um cara que tenta, se joga, faz, quebra a cara, ajusta, tenta de novo e vai fazendo até acertar. Aliás, até nos relacionamentos sou assim. Lembro bem dos meus amigos falando:

“Lá vai o Léo de novo, se jogando em um namoro e já já quebra a cara, coitado …”

Com efeito, foi assim que conheci o amor da minha vida e hoje estou muito bem casado, sim senhor! 😉

 

Casamento Leonardo

 

Só que nos relacionamentos, nos negócios, nas amizades ou em qualquer “projeto” nosso, quando é que sabemos que fracassamos e devemos ir abrir a “próxima porta”?

No ano em que eu estava para prestar o vestibular, ainda morava em Juiz de Fora/MG. Minha mãe confirmou que finalmente ia largar o emprego dela e abrir uma comissária de desembaraço aduaneiro no fim do ano. E aí ela quase que marretava na minha cabeça toda hora:

“Vai fazer comércio exterior, não me inventa de fazer engenharia!”

Mas eu, muito teimoso, sempre achei que engenharia me abriria portas. Assim, comecei o curso e também virei sócio dela na empresa.

Até o terceiro ano de empresa, éramos só nós dois e a gente quase quebrou no segundo ano por falta de clientes. Ainda assim, ela apostou tudo na empresa. Vendeu o carro e fomos nos recuperando.

No meio da faculdade, a maioria dos meus amigos já tinha emprego ou estágio e ganhava bem mais do que eu. Na verdade, eu ganhava só 200 reais e trabalhava para que minha mãe pudesse continuar pagando as contas.

 

Só que eu acreditava que aquilo ali teria futuro e que o jogo poderia virar

 

A graduação que eu fazia era Engenharia de Telecomunicações, mas nunca me arrependi. Primeiramente, é um curso que abre muito a sua mente e te dá uma capacidade incrível de resolver problemas. Ou seja, me trouxe uma das principais habilidades que um bom gestor deve ter.

Então eu abria e fechava o escritório todo dia, ia para a faculdade à noite, estudava muito e fazia cursos específicos sobre comércio exterior. Lia legislação aduaneira como se fosse advogado. Depois de formado, viajava sábado sim, sábado não para Belo Horizonte para ficar o dia inteiro em um MBA me especializando em COMEX. Fiz isso até dominar o assunto o suficiente para começar a dar consultoria para clientes, o que acabou despertando o interesse de um grande parceiro nosso no Rio de Janeiro que me convidou para ser seu sócio.

Passei de sócio da minha mãe em uma empresa de 5 pessoas, para Diretor de Novos Negócios e sócio de uma empresa com mais de 60 pessoas em uma cidade bem maior.

 

Como podem ser as portas da vida

Eu concordo e particularmente gosto muito do conceito “fracasse mais e mais rápido para chegar ao sucesso”. Mas quando a gente toma uma direção e consegue visualizar o que quer para nós lá na frente, aí temos que entrar no jogo da RESILIÊNCIA.

Eu poderia ter aceitado um emprego na área de engenharia para ganhar mais do que ganhava. Ia ter hora pra entrar e sair. Ia curtir mais com os amigos. Porém, eu acreditava (e continuo acreditando) na direção que eu estava seguindo.

Lembro bem de um dia que escutei de um grande amigo:

“Tá trabalhando demais Léo, tem que ter lazer também. Vai ficar todo dia trabalhando até 8, 9, 10 da noite?”

E eu continuava lá, pois as portas da vida podem ser assim:

Resiliência e a Porta dos Desesperados

Onde você:

  • Pode achar que está subindo, mas aquele caminho vai te puxar para baixo já já…
  • Podem achar que você está fracassando, mas está somente pensando à longo prazo e vai disparar para o alto em breve;
  • Ou até mesmo descobrir que para continuar no mesmo lugar no final, você irá subir e descer o tempo todo.

Acho que usei o conceito de fracassar rápido, que ainda nem tinha aprendido, para ajustar os processos, técnicas, estratégias, ferramentas e vários pontos durante a minha trajetória. Assim, já fracassei e tive sucesso várias vezes, mas sempre mirando na mesma direção.

 

O Equilíbrio

Coloquei este subtítulo, mas ainda acho que equilíbrio é uma palavra muito forte, me lembra muito “perfeição”.

E na verdade não existe perfeição. Cada um tem um caminho, uma história, um tempo diferente para viver sua vida, para encontrar a sua direção e conquistar o que quiser. Este texto não foi escrito para guiar ninguém, nem para vender uma verdade absoluta, mas somente para compartilhar um pouco o que aprendi com as minhas experiências.

Abra muitas portas na vida até achar o seu caminho, a sua direção. Mas não espere por aquela porta que irá te dar o emprego perfeito, relacionamento perfeito ou qualquer coisa perfeita e pronta. Tente sempre enxergar lá na frente e comece a suar. Se entregue para construir o que você quer.

A transformação digital está deixando todo mundo ansioso, doido para criar o novo app milionário, a nova plataforma que irá resolver tudo. Ou encontrar aquele emprego ou relacionamento perfeito que você ACHA que seu amigo tem por causa dos posts que ele faz nas mídias sociais.

Não existe a porta da perfeição, de onde sairá um garçom para te entregar os seus sonhos em uma bandeja. Então, encontre a porta do caminho certo e coloque muito HARDWORK.

Acho que eu resumiria isso tudo na seguinte frase, dando o meu toque ao conceito que aprendi:

Fracasse mais e mais rápido para chegar ao sucesso. Mas busque a sua direção, coloque MUITO suor e tenha resiliência nesse caminho.

Para mais conteúdos como esse ou sobre COMEX e empreendedorismo ou simplesmente para me conhecer mais, me siga também lá no Instagram @leonardo.s.schmidt.